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Um município com 16 mil almas e 800 funcionários não é uma cidade. É um palco.

E um povo inteiro, sem saber, faz figuração num teatro de subvenções, salários congelados e promessas que chegam sempre com a próxima eleição.

Na Câmara Municipal do Tarrafal, não se governadistribui-se silêncio com crachás, salário mínimo abaixo do mínimo e contratos que duram o tempo que dura o favor. É uma espécie de programa alimentar disfarçado de administração pública. Uma bolsa família (Brasil) que se veste de farda azul e bate ponto. Não por missão, mas por medo. Medo de dizer que não. Medo de não dizer sim.

Enquanto isso, os jovensos que ainda sonham com dignidadefazem fila no aeroporto. Partem. Fogem. Escapam de uma cidade que cresce só em folha de pagamento. Partem como quem arranca uma raiz e a lança ao mar. Em troca de quê? Em troca de qualquer coisa mais parecida com futuro.

É um fenómeno curioso: todos os outros municípios do país, mesmo os que ainda tropeçam, já implementaram ou estão no processo de implementar o PCFR, reajustaram o salário mínimo, fizeram contas à vida e tentaram pôr ordem na casa. Mas Tarrafal não. Tarrafal faz diferente. Não corrige injustiças, cria mais cargos. Não valoriza carreiras, valoriza lealdades. Não organiza a função públicaabarrota-a.

E ainda assim, ou talvez por isso mesmo, o presidente é aclamado como um herói do povo. Um grande homem. Um humilde. Um salvador.

Mas humildade, meus amigos, não é sorrir muito nas inaugurações. Humildade é pagar o justo. É formar quem trabalha. É governar sem vanglória. É sentar com os invisíveisos precários, os sem voz, os que limpam o chão do poder sem nunca subir ao segundo andar.

No Tarrafal de hoje, ser crítico é ser inimigo. Questionar virou ofensa. Esperar mais virou traição. E o povoexausto, empurrado para o costume, moldado pela necessidadeaceita a precariedade como se fosse destino. Mas não é. Nunca foi.

Tarrafal merece mais. Muito mais do que empregos fictícios que compram silêncio. Mais do que líderes que confundem populismo com política, favoritismo com fidelidade. Merece uma câmara que se pareça com o povo e não com o partido. Uma máquina pública que não se alimenta da pobreza para se perpetuar. Uma gestão que trate o orçamento como ferramenta de mudançae não como herança de campanha.

Se tivéssemos investido os 800 milhões de escudos de 2024 em coisas mais prioritárias, talvez hoje o município não exportasse gente, mas exportasse ideias. Talvez não construíssemos apenas folhas de excel, mas dignidade em alvenaria.

Governar é escolher. E quem governa por aplauso escolhe o barulho à verdade. Mas quem escolhe a verdade, sabe: mais vale um voto consciente do que mil palmas sem consciência.

É tempo de recomeçar. Com coragem, com educação, com memória.
Porque há dias em que amar a terra é dizer-lhe a verdade.

 Mário Loff

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