Halloween party ideas 2015

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"Rafina Kombersu" é um programa que irá se realizar todas as últimas quintas-feiras de cada mês é, um novo conceito que visa a valorização dos escritores, poetas, músicos e “rappers”, aonde irão reunir-se para fazerem declamações de poemas, rap, kombersu sabi, finason e slam, de modo a preservar, valorizar e estimular a prática destas artes cénicas e recreativas. Acompanhado de animação musical a carago dos artistas locais.

A edição da primeira temporada de "Rafina Kombersu" irá estrear-se no dia 25 de Abril (quinta-feira), no Restaurante Búzios (Tarrafal) que é uma das parceiras da organização. Espera-se que este evento dure e, sobretudo que mobiliza os jovens de Tarrafal a mudarem a forma de agir e interagir com o seu meio e que tenha atitudes de pro atividade. Esperam contar com o apoio de todos os Tarrafalenses.


A mulher que é escondida, mas que existe.
Foi uma entrevista há uma prostituta que recusou se identificar ao grande público, mas que respeitamos a sua vontade, ela fala de tudo e sem complexos, mas nunca aceita que ela é uma puta mas sim uma prostituta, por isso fica esta primeira parte de entrevista.




Por segurança e pelo combinado não vou perguntar o seu nome, mas digamos que hoje nesta entrevista vais chamar Maria Madalena.

Diga-me, quem és tu o que fazes o que pretendes fazer no futuro?
Eu sou natural de Tarrafal de Santiago, nasce no Tarrafal na zona de .... Sai muito cedo para Praia e depois para outras ilhas onde conhece muitas pessoas e outras realidades, sou prostituta, e no futuro próximo quero sair desta vida.

Porque que não quer dizer o local onde nasceste?
Não quero ser reconhecida.
Porquê?
Apesar de ser discreta não quero que alguém me reconheça.
Bom me diga, o que fazes?
Sou prostituta.
Prostituta?
Sim
Falas assim como algo normal?
Desde que não divulgue o meu nome.
Bom, assumes ser uma prostituta ou uma puta?
Sou uma prostituta, não uma puta.
Ok, então me diga, qual é a diferença entre uma puta e uma prostituta?
Bom para mim uma puta e uma prostituta tem o mesmo significado. Mas acho que puta mesmo de verdade são aquelas que se escondem por detrás da máscara e fingem de santa, mas no fundo fazem diabos e sapato nas costas da pessoas, pelos menos todos sabem que fazemos estas coisas, acho que nesta área somos mais leais. Por isso sou prostituta não puta, além do mais pago imposto hahahaha, brincadeira.
Ok, me diga como entrou nesta vida?
Hahahaah, entrei nesta vida a mais de sete anos. Olha eu tinha namorado, mas eu não era social não gostava de estar nas multidões e o meu namorado gostava de me apresentar para as pessoas eu só queria estar no meu canto, porque viajava por todos os lugares devido ao trabalho do meu pai, estava cansada daquilo, até que um dia reparei que homens me reparavam muito no meu corpo, e daí me despertou esta curiosidade de experimentar coisas fora de relacionamento com o meu namorado, e gostei daquilo e até hoje estou fazendo isso.
E o seu namorado? Como é que ficou?
Não ele viajou naquela época para Portugal para se formar e aproveitei e mudei completamente de vida.
Então saíste da pele de santa misteriosa para a pele de prostituta, aliás puta?
Já te disse que não sou puta. Sou prostituta, mas se achas que é assim.
Bom me diga, quem foi o primeiro que se relacionou?
Foi com uma das figuras conhecidas deste país.
Quem?
Hehehehheheeh, deixa disso acha que vou lhe dizer?
Ok, era um jovem, velho, ou assim, assim?
Ele já está meio velho.
Mas ele não usou o Viagra não?
Hahahahaah, deixa disso, já disse.
Diga lá?
Não, não usou.
Ok,
Mas foi bom?
Foi diferente mas comparando com o que já fiz até hoje preferia os de hoje.
Então melhoraste muito?
Claro cheguei à conclusão que é melhor se relacionar com homens importantes que garantem o meu nível de vida, repara uma mulher como eu sem luxo, acho que sou linda e que consigo atrair homens.
Estão es uma prostituta profissional?
Se achas que é isso.
Tens clientes fiéis?
Sim tinha, mas agora sou fixa de uma só pessoa.
Que sorte, ahn?
Não é sorte é trabalho, tem que saber agradar um homem, tomar conta de si, do seu corpo, mas pessoas como eu tem que ser discreta para se poder relacionar com esses tipos de homens.
Não me diga que já pegou todas as figuras públicas deste país? Brincadeira.
Hahhahaahaha, bastante.
Não me diga que já apanhaste ministros?
Hahahhahahahah, vou te matar com estas perguntas.
Bom, me diga quantos parceiras já te relacionaste até hoje?
Mais de 100 homens, entre jovens, velhos, cotas, figurões.
Que apetite, mulher?
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Sentis que es feliz nesta profissão?
As vezes sim as vezes não, mas o que mais me lembro desta profissão é que as vezes me dá uma tristeza.
Tens saudades da tua família?
Eles estão todos fora de Cabo Verde e está aqui somente eu e o meu irmão mais novo, tenho outros familiares aqui em Cabo Verde mas não temos ligações com eles.
 O seu irmão sabe disso?
Não e nem faz ideia, ele mora com a sua mulher.
Olha, já trabalhaste nas casas de prostituição?
Não trabalhei, mas já recebe convite e conheço, eu gosto da minha liberdade e as coisas da minha forma.
Como faz e fazia os seus programas?
Primeiro frequento lugares finos da capital, e tenho amigos e amigas que sabem disso e também fazem, as vezes saiu som pessoas para fora da praia por dois ou três dias, as vezes turistas de dinheiro tomam contatos nas outras pessoas que já se envolveu comigo e me liga, houve tempo que fiz atendimento um dia no sal e noutro dia a noite em Santiago.
Isso dá dinheiro?
Bom, para mim, dá alguma coisa, mas hoje as coisas não era o que era antes.
Quanto já fez num dia ou numa semana?
Huhn, dia que me lembro, foi numa época de final de ano que fui acompanhar um português numa festa e ele me pagou vinte mil escudos num dia e me fez proposta por uma semana por cem mil escudos.
Achas que es cara?
Não sei, mas isso vicia, todos os dias quem entra nisso quer sair mas não consegui.


O entrevistado de hoje se define como um insatisfeito, se é verdade ou não, vejamos. Ele estudou no Liceu Manuel Tavares, lugar onde se despertou para a escrita pela influência do seu professor. Mas não parou por aqui, foi tirar curso superior na cidade da Praia, esteve na cidade dos poetas Armênio Vieira e de Filinto Elisio, por dois anos, mas não se sentia completo, pois desafiou a si mesmo e rumou ao país de Maiakovski, Tchecov e de Putin para se formar em Direito, mais ainda, para ser um futuro Jurista de Norte de Santiago com a intenção de endireitar este mundo desajustado. Pergunta, se ele tem alma, estofo e bagagens, não se sabe, mas vamos ver e ler a sua alma e o que ele disse nesta entrevista que a Provacultura foi até a Rússia ter com o Nilton Makonen.
1 - Quem es tu?
Para não dizer abençoado, digo que sou um homem de muita sorte, por ter nascido no mais lindo país do mundo, numa cidade de contos, numa zona onde até animais são respeitados, e numa família maravilhosa.
2 - Porque não Mendi mas sim Nilton Mendes Makonnen?
Nilton Mendes pelo simples fato de ter muitos amigos (kolegas di skola) que não me conhecem por Mendi, mas sim por Nilton Mendes.
3 - E esse Makonnem? E um agouro ou um nome?
Makonnen vem do nome do ex imperador da Etiópia Haile Selassie, que antes de ser coroado como imperador da Etiópia em 1930 era designado por Tafari Makonnen.
4 - O que é que estas a fazer neste momento?
Neste momento corro atrás do meu sonho, de ser um jurista, aqui na terra dos russos.
5 - Qual é a diferença entre a Rússia e Cabo Verde?
As diferenças entre a Russia e Cabo Verde são muitas. Se fizessemos esta mesma pergunta a qualquer outro cabo verdiano, a resposta seria a seguinte: epa na Russia faz muito frio. Já para mim, a maior diferença entre esses países está no modo de vida. A simplicidade, morabeza, hospitalidade que se tem em Cabo Verde, por aqui é algo raro de ver. E o maior frio que um negro sofre por aqui é o do racismo. Rússia é frio por dentro e por fora, isso o torna ainda mais grande e fantástico.
6 - Porque é que escolheste estudar Direito?
Quando fui para o liceu, sempre tirava boas notas em matemática em estudos cientificos, quimica, até cheguei a dizer que eu queria ser um enginheiro, mas logo percebi, que aquilo não encaixava em mim. Cresci num local onde a maioria das pessoas são simples, por vezes analfabetos, e muitas vezes pobres. Essas pessoas muitas vezes sofrem inúmeras dificuldades, lhes são negados os seus direitos, os que já estão melhores posicionados na sociedade, aproveitam dessas pessoas, violam os seus direitos, e os coitados não podem se defender, por motivos vários.
Essas situações sempre me incomodaram, e ainda incomodam, por isso sonho um dia ter uma possibilidade de poder ajudar, defender essas pessoas que não têm possibilidade de se auto-defenderem. Por isso escolhi Direito e também porque sinto que Direito é a minha sina.
7 - O ensino russo e cabo-verdiano que relação e semelhança que têm, vantagens e desvantagens?
Antes de vir para Rússia, já tinha estudado 2 anos na Universidade Jean Piaget na Paraia. A maioria dos estudantes não levava os estudos á serio, apenas desejavam ter um diploma e a Universidade apenas persecutava o seu fim lucrativo. Então na altura em que fui selecionado como bolseiro do Estado para vir estudar aqui, pensava que aqui as coias teriam um outro parâmetro. Mas é quase a mesma coisa. A diferença é que aqui estudo numa universidade publica, os cursos estão estruturados de uma melhor forma, tenho melhores condições bibliográficas, os livros aqui são de facil acesso e a cultura e incentivo para pesquisas aqui são maiores.
8 - O que é que um estudante cabo-verdiano precisa saber de antemão para ir fazer um curso na Rússia?
Eu acho, que seria duma importância imperiosa, que os estudantes que pretendem vir aqui estudar, soubessem que aqui vão ter de conviver com o racismo, terão fortes problemas de inclusão social, para não dizer que não terão uma vida social, o clima, a cultura aqui são completamente diferentes e muitas vezes essas circunstâncias influênciam para negativa no aproveitamento escolar.
9 - Como está inserida a comunidade estudantil cabo-verdiana e em especial as de Tarrafal de Santiago?
Aqui na Russia, eu desempenho a função de representante dos estudantes cabo-verdianos, por isso tenho alguns dados em mão. A nossa comunidade, neste momento é composta por 36 estudantes bolseiros, mais alguns que estudam por conta propria, espalhados por toda a Russia. Normalmente os estudantes cabo-verdianos que estudam e que esturam aqui têm fama de estudiosos e inteligentes, pelo facto de rapidamente se adaptarem a lingua e a realidade local. Já tarrafalenses, desses 36 estudantes, actualmente somos 2 aqui. eu e a Florestina Tavares, filha de Colhe Bicho, que faz medicina geral numa outra cidade. Também os tarrafalenses não fogem a regra e não deixam os seus dotes em mãos alheias.
10 - Qual e a sua relação com o Putim?
Putim, como todos os homens, tem os seus mais e menos. Falando dos mais, eu o admiro pelo fato de ser um líder patriota, que dirige o seu país conforme a vontade do seu povo, que dirige o seu país conforme a vontade do seu povo, em detrimento da vontade das potências mundiais.
11 - Do tempo que tens fora de cabo verde lhe permitiu definir o que é a vida?
Uma das vantágens da emigração é exatamente essa. Uma pessoa que tem tudo, família, amigos, uma vida social normal, um belo país, deixa tudo isso, para vir viver num país, onde as pessoas o vêm na rua, apontam o dedo e riem, acho que isso já seja suficiente para saber o que é a vida. Nha Balila disse “Kasa d’arguem ka morada”, e Nha Nacia Gomi disse “si nhu xinti pa kuda mundu, nada ka dimas pa dor”. E eu digo, que um homem só pode viver na sua terra, caso contrário não vive, mas sim sobrevive na terra dos outros.
12 . A nível literário participaste na Primeira antologia dos poetas de Tarrafal de Santiago. O que é que achaste daquele projeto?
Ideias do genero são de louvar. Sinto-me muito orgulhoso de ter participado num projecto tão peculiar. Hoje em dia o mundo vive a economia do mercado, onde não há lugar pro sentimento, só é valorizado o que for suscetível de trazer lucros, por isso a poesia, sendo uma forma de manifestar sentimentos, vem perdendo espaço. E nesse contexto, surge a I Antologia dos poetas de Tarrafal, numa direção contrária da do mercado, a propugnar um espaço pela poesia. Para mim este projeto tem um valor incalculável.
13. Como se deu o seu encontro com a poesia?
Comecei a gostar da poesia quando eu estudava no 9 no ano. Na altura, o meu professor de português era o Sr. Jose Orlando Lopes Garcia. A forma como ele nos ensinava português despertou em mim um gosto pela língua, e consecutivamente pela poesia. Já no 10mo ano, esse gosto teve uma majoração, devido as aulas e inspirações do Sr. Clarindo dos Santos. Na altura eu escrevera muitos poemas, que por azar perderam.
14. Com que poeta é que tu se identificas a nível mundial e a nível de Cabo Verde?
Identificar, talvez não. Admiro muitos poetas, na maioria nacionais, como por exemplo, Mario Lucio, Amílcar Cabral, Clarindo dos Santos, Mario Loff, Paulo Varela, entre outros, mas não me vejo em nenhum deles.
Obrigado pela parte que me toca, mas ....
15. Como tens acompanhado o recrudescer da literatura e a poesia no Tarrafal.
A poesia e a literatura no Tarrafal têm ganhado uma grande dinâmica que deve servir de paradigma nacional. Eu, mesmo que separado por mares, terras e montanhas, acompanho esta erupção da poesia no nosso Tarrafal, espreitando pela janela, na expectativa de um dia voltar e também fazer parte desta gloriosa evolução.
16. Qual poesia que mais lhe marcou na antologia? Se não responderes é porque não gostaste de nada daquilo. Heheheheh.
PERDIDO de Clarindo dos Santos, RÓSTU PA SUL de Júlio Soares Tavares Silva...
Já vi que o meu não serviu para nada heheeheh .... brincadeira.
17. O que é que tem a dizer aos poetas Tarrafalenses?
Se os poetas Tarrafalenses me emprestassem os seus ouvidos por uns minutos, eu os diria em primeiro lugar, parabéns pela grande obra que foi a I Antologia dos poetas de Tarrafal, em seguida, talvez diria que conservem e pratiquem a união e o dinamismo e para terminar diria que o único documento, que identifica um homem, a onde quer que ele vá, é a sua cultura, por isso valorizemos e vivamos a nossa cultura.
18. Escreves constantemente, ou de vez em vez?
Normalmente eu escrevo todos os dias, só que na maioria das vez, escrevo acerca de questões jurídicas, mas sempre me vem à cabeça algo em forma de poesias, então paro para registrá-las antes que vão embora.
18- Livro preferido?
“Eclipse sur l'Afrique : fallait-il tuer Kadhafi ?” livro do gabonês Jean Ping e “Unidade e Luta” de Amílcar Cabral.
20- Qual autor que descobriu e que gostou, e qual autor que ainda não descobriu que gostarias de descobrir?
Se fizéssemos essa mesma pergunta a um outro amante da poesia, a resposta seria Fernando Pessoa, Camões, Gil Vicente, por ai a fora, mas eu com toda sinceridade digo, que os autores que eu lera e que mais gostei, foram os da I Antologia dos poetas de Tarrafal de Santiago, pelo fato de partilharmos a mesma cultura, a mesma realidade, isso fez com que os seus poemas me atravessássem a alma, algo que não acontece, quando leio poemas de autores estrangeiros.
Já em relação aos poetas que eu gostaria de descobrir, seriam os mesmos. Cada homem vive o seu tempo, e os dias de hoje serão historia amanha. Assim como Camões e Fernando Pessoa fizeram história, acredito que poetas como Clarindo dos Santos, Mario Loff também farão, por isso gostaria de descobri-los.
21- O que é a vida?
A vida é uma escola. Todos os dias aprendemos e quando achamos que já somos bons o suficiente, terremos de mudar de classe (fase) e aprender de novo.
22- Qual é a tua cor preferida?
A minha cor preferida é a que mais temos em Cabo Verde, o azul.
23- País preferido? Além de Cabo Verde
Vivo entre a Rússia e a França e nas voltas que faço entre esses 2 países, tive oportunidade de ver alguns outros países (da Europa) mas, não encontrei nada nesses países, que me faça gostar ou os preferir em relação a outros países. Gostaria de conhecer África do Sul, Austrália, talvez seriam os meus preferidos, depois de Cabo Verde.
24- Como querias ser lembrado?
Gostaria de ser lembrado como uma pessoa, que repudia todas as formas de opressão humana existentes no nosso mundo, uma pessoa que quer o bem e a felicidade de todos.
25 - Que pergunta gostarias de me fazer que eu não te fiz ainda?
Achas que Tarrafal já é, ou pode vir a ser mãe dos melhores poetas lusófonos?
26- Qual foi o maior mal que já fizeste?
Talvez meu maior erro, foi ter feito minha mulher chorar algumas vezes.
27- Quem mais mal fez ao mundo?
Apesar de já tiver existido escravatura antes (por ex. os hebreus foram escravizados no Egipto), acho que a maior atrocidade da história da humanidade, foi os 500 anos de colonização e destruição da África pelos europeus.
28- Pretende um dia voltar a viver em Cabo verde?
Não só pretendo voltar a viver em CV, mas também, planejo, sonho, desejo, rogo e espero que o Senhor me acuda.
29- Que mensagem deixaria para os que estão errando neste momento e qual mensagem deixaria para os que não erraram ainda.
Como todos dizem, o erro é uma característica humana. Para quem já errou, que tire lições positivas do erro e que não venha a cometer mesmo erro. Os que ainda não erraram, que sirvam da experiência dos mais velhos, de modo que possamos ter progresso, ou caso contrário, estaríamos num ciclo vicioso. Hoje o pai era, amanhã o filho, depois o neto...
30- O que gostaria de dizer que eu não te perguntei?
Gostaria que me perguntasses, porquê pretendo voltar a Cabo Verde, uma vez que na Europa poço ter tudo? Gostaria que dissessem aos nossos jovens, que um homem nunca terá uma vida completa, enquanto estiver longe da terra que o viu nascer. Por aqui, os emigrantes andam com a vida em suspensão, a espera do momento que chegar em Cabo Verde.


Batuku. Já há muito tempo que já conquistaram o direito de dançar batuque, através desta dança a nossa entrevistada ficou cativada desde a idade criança, aquele bichinho o mordeu e ficou a marca, a marca de batucadeira. Hoje ela é uma das vozes mais ouvidas neste género musical em Cabo Verde e em particular no Tarrafal. Já cantou em vários países em destaque, foi a sua participação no festival da lusofonia em Macau. Hoje já não é aquela menininha que participou no grupo de batuque de Kobon Sanches com apenas 9 anos, hoje ela responde pelo nome de Mâ, mas o que ela gosta mesmo é ser reconhecida como Marisa Ramantxada que arranja tempo para ensaiar dois grupos de Batuku e dar assistências na associação Delta Cultura.
No dia do seu aniversario fomos entrevista-la.



Afinal quem é a Mâ, Marisa e ainda Marisa Ramantxada?
Má era uma criança que nasceu e cresceu com muitas dificuldades na vida, ao contrário da Mâ a Marisa era um jovem inocente.
Marisa Ramanxtada é uma Mulher que agora luta pela igualdade social, luta pelo seu direito, e que cumpre o seu dever, e que aprendeu a se defender para que nunca mais o abusem dela. Em fim, sou aquela Mulher que escala a montanha da vida removendo as pedras e plantando as flores espalhando sorrisos.
Como se deu o seu encontro com a arte de Batuku?
Desde da idade de criança fui amante de Batuku, eu gostava de ver pessoas que dançava torno (pui na tornu), por tanto gostar desta arte, já com 9 ano de idade tinha sido um dos elementos de grupo Covão Sanches, que era comandada pela Dona Marilena de Gau.
O que é o Batuku?
Essa é uma pergunta que sempre se faz… para mim Batuku é a alma de um povo neste caso o povo Cabo Vendeano, Batuku é misturas de tudo, de tristeza, de solidão da dor, da fome e da fartura de tudo o que faz bem a alma.
A onde arranjas forca para estares na associação Delta Cultura e ainda dar assistência ao grupo de Batuku?
Eu gosto de estar em sintonia com a sociedade e o quotidiano. Eu me levanto às 7 da manha para trabalhar no Centro da Educação DC, saio às 17 da tarde de segunda á sexta e ensaio 2 grupos de Batuku e no final de semana dou conserto de Batuku acompanhando as minhas meninas.
Qual foi a sua maior conquista no Batuku até hoje?
Sabe, com o batuco eu aprende muitas coisas que ensinei para as crianças e jovens, e também aprende com elas, sobre tudo como estar na sociedade… mas também fico feliz de ver que Delta Cultura fez muito para batuco, já levou batuco para países estrangeiros, ensinam crianças desde pequena tudo sobre batuco.
Qual são as dificuldades da associação Delta Cultura ou seja o que mais precisam neste momento, o prioritário?
Bom a maior dificuldade da Delta Cultura é encontrar pessoas voluntários, aqui no Centro, como sabe, a associação trabalha de Segunda a Segunda com 260 crianças e jovens, e aqui temos 7 monitores, e muitas das vezes os trabalhos no fim-de-semana exige mãos de obra extras e se aparecesse voluntários seria bem-vindo.
Qual foi a maior conquista da Delta Cultura?
Foi a construção do Centro e a vinda das crianças que gostam muito de frequentar este Centro, que é deles.
Para quando a reabertura da vossa rádio?
Por enquanto o projecto está parado por causa do financiamento, a DC não vai desistir de procurar, encontramos um parceiro que vai nos ajudar, pagando a licença todos os anos, estamos a procura dos equipamentos necessários, e modificar o espaço e torna-lo uma área mais atrativo.
Quais assuntos que mais retratam nas vossas músicas?
Sensibilização do ser humano, informação sobre a vida e um pouco do nosso quotidiano sendo Batuku um dos expoentes da nossa cultura que apareceu através do quotidiano deste grande povo.
Como esta a cultura em Cabo verde e em Tarrafal em particular?
Para mim, a Cultura está a evoluir, e no Tarrafal está ganhando o terreno tendo em conta que esta nova geração esta aproveitando as oportunidades que se vão criando, desta forma, acho que tem de se reforçarem outras áreas para que essa evolução não fica estagnada.
Você se considera famosa? Quais são as armadilhas da fama?
Não, não eu não me considero famosa! E nem quero ser, só quero dar a minha alma e melhor de mim para sociedade Cabo-verdiano.
Sou alegria de quem me ama,
a tristeza de quem me odeia,
Ocupação de quem me inveja,
Pergunto eu, tens bastantes amigos e inimigos para fazeres esta poesia?
Tenho bastante amigos, mas também, considero que muito deles são os meus inimigos! O importante é que sei que não estou sozinho.
No dia 24 de Fevereiro na teu perfil diseste “ es ano nkasta fasy jantar de gala pa 8 de Março 2015… gossi é pa nhós fasi pan bai xinta pan djanta tanbé” … pergunto eu, porquê esta indisposição? Sentiu a falta de estar do outro lado nessas ocasiões?
Por mas que eu possa ser uma mulher batalhadora muitas vezes me sinto falta de força para seguir em frente nesta actividade, mas também eu sinto vontade de estar no outro lado nessas ocasiões.
No dia 21 de Dezembro de 2012 publicaste assim, “Satanaz sai so rosto fora odjan so na da ku tornu la na rua é skece karka dedu na boton pa kel asuntu na seu kumesa… nton mundu fika sem kaba…”
Marisa isto, é uma citação ou uma provocação?
É un konbersu sabi!!!!
O meu Livro Preferido.
Livros que retrata assuntos relacionados com a Teoria e a História e
Corpo ativo e Mente Desperta
Qual autor que descobriu e que gostou, e qual autor que ainda não descobriu que gostarias de descobrir?
Ainda não discobri o meu autor preferido.
O que é a vida?
Muitas vezes é dificil entender o que é a vida…
Qual é a tua cor preferida?
Vermelha, Preto e Azul
País preferido? Além de Cabo Verde
Republica Domenicana
Como querias ser lembrada?
Nun terrerro de Batuku
Que pergunta gostarias de me fazer que eu não te fiz ainda?
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Qual foi o maior mal que já fizeste?
Erei muito na vida sim, assim como todos os ser humano, mas o mais importante é aprender com os erros e seguir em frente com cara levantada e tenho feito isso todos os dias com muita humildade. Às vezes o a palavra mal é que possoi vários segnificados, mas eu acho que eu fiz o contrário do mal…
Quem mais mal fez ao mundo?
Toda Humanidade
Que mensagem deixarias para os que estão errando neste momento e qual mensagem deixaria para os que não erraram ainda.
Eu não quero julgar as pessoas porque se diz que errar é humano! Mas eu temo pela igualdade social no mundo.
Obrigado pela entrevista.


Se alguém o ver pelas ruas de Hollywood pode confundi-lo com o conhecido ator norte americano Denzel Washington, mas não, não é este fenômeno da sétima arte, ele é sim um Americano, aliás um Afro Americano de norte da ilha de Santigo que nasceu em Chão Bom e cresceu na vila de Mangui, um Tarrafalense. Foi viver muito novo para os EUA, mas não esqueceu do seu porão natal, hoje além de arquiteto é um ativista social, que ajuda a comunidade cabo-verdiana tanto na sua localidade como, também em Cabo Verde.
Mas não pensem que a conversa ficou por aqui, confessa que o seu regresso definitivo para a terra que o viu nascer (Cabo verde) é um dos grandes sonhos que pensa realizar. Muito mais ainda, deu tempo para mostrar toda a sua humildade, dizendo que “podemos fazer muitas coisas sem entra por outros caminhos”, proferindo que “cada um de nós no mundo é um projeto que foi feito para ajudar” e se cada um de nos fizermos um coisa para ajudar o mundo seria outro e tudo seria deferente. Mas a sua principal arma é a persistência e a vontade de ajudar.
Venham conhecer Rito de Carvalho.

Quem é o Rito de Carvalho?
R- Tarrafelense, natural de Txom Bom que vive atualmente nos Estados Unidos da America.

Os motivos da sua embarcação para América?
R- Emigrar para America foi sempre a minha primeira opção, além do mais já tinha quase toda a minha família aqui na América.

Sentes que és mais Americano, Africano, ou mais Cabo-verdiano?
R- sou a mistura fiel do africano e americano. Nasci e cresce em Cabo Verde, mas a America foi o lugar que fiz a minha vida e continuo a fazer a minha vida profissional, social e familiar.

Que relação se estabeleceu entre si e a sociedade Cabo-verdiana para que hoje sejas um dos destacados ativistas sociais.
R- nada de especial. Apenas estou cumprindo o meu dever como cidadão materializando os meus projetos sociais.

Tu sentes que és famoso? Se sim, diga-me quais são as armadilhas da fama?
R- famoso? Rsssss longe disso. Eu sou apenas um ativista social Cabo-verdiano que tenta ajudar a minha comunidade, e a comunidade cabo-verdiana de origem.

Como se procede aos trabalhos da sua fundação?
R- normalmente identifico as áreas sociais que precisam de intervenção e elaboro um projeto social e de interesse específico. Muitas vezes são os amigos e colegas que me convidam para participarem nos seus projetos.

“Em algum momento da vida, para mudarmos alguma coisa temos de entrar na política”, frase dita pelo Mário Lúcio de Sousa nas Campanhas autárquicas de 2012 em uma palestra promovida pela candidatura de Arnaldo Andrade na antiga pedra e Cal.

Pergunto eu.

Rito de Carvalho Promove esses trabalhos para preparar terreno para futuramente entrar em algum projeto político ou é simplesmente um dom?

R- podemos mudar muita coisa sem entrar na política. Prova disso, são os meus projetos que venho materializando em Cabo Verde que já mudou a vida de muitas pessoas. Como tinha dito na pergunta anterior, repito, faço isto apenas para cumprir os meus deveres de cidadão.

É um Don que deus me deu e graças ao apoio da minha família e amigos tudo tem corrido da melhor forma possível. Em relação à política já tive vários convites (não tem faltado convite, já recebe varias), mas nunca aceitei e nem penso aceitar, porque a forma de se fazer a política não combina comigo e nem a forma como trabalham e, sobretudo não tenho este dom, o dom de fazer política.

Qual foi o seu maior projeto social até hoje?

R- é difícil de escolher, porque faço todos esses projetos com amor e dedicação, por isso independentemente do sucesso de cada projeto tudo é igual para mim, mas o projeto, que é mais conhecido é o projeto de educação par as nossas crianças.

Em que projeto estas envolvido atualmente?

R- neste momento estou trabalhando no projeto juntos por Tony Fernandes, Educação para as nossas Crianças, e temos alguns projetos que infelizmente não poço dar mais detalhes já que não é oficial.

Entre os prêmios atribuídos a si, qual deles mais lhe dá satisfação?

R- os prêmios que granjeio são todos iguais, mas, já vou avisando que não trabalho para prêmios, apesar de que é sempre bom ter projetos e trabalhos reconhecidos e isso dá gozo de fazer ainda mais e melhor..

Que projeto falta ser realizado para o mundo ser mais justo socialmente?

R- cada um de nós é um projeto em si. Se dedicarmos a algo que temos dom como (música, desporto, ação social...) e usa-los para ajudar as nossas comunidades o mundo seria, mas justo socialmente. Todos nos temos algo para oferecer as nossas comunidades.

Na tua visão quais são as falhas sociais em Cabo Verde e em particular no Tarrafal? Soluções?

R- não tem uma política social que reflete a nossa realidade, infelizmente, a nossa autarquia e o Governo está desconectado com a realidade social, só agem quando algo de grave acontecer. Não tem um projeto de longo prazo, não tem projetos de trabalhem na antecedência dos problemas. É uma pena porque em Cabo Verde temos muitos ativistas sociais que podem fazer a diferença sem ter apoio e podem fazer a diferença.

A página no Facebook Tarrafal Vinti un é uma provocação ou uma fonte de informação?

R- Como 1 dos 16 membros que dirige a pagina posso lhe dizer que a pagina é uma simples fonte de informação que esta ao serviço dos tarafalesses e amigos dos tarafalensses.

Tipo de Musica preferido?
Batuko, Funana.

País preferido? Além de Cabo Verde
Estados Unidos

Como querias ser lembrado?
Por pessoa que sou hoje.

Que pergunta gostarias de me fazer que eu não te fiz?
Apenas queria agradecer a entrevista e desejar boa sorte com a pagina.

Pretende um dia voltar a viver em Cabo verde?

R- é o único sonho que me falta para realizar. rsssssssss

Parte mas difícil durante processo de elabora bus projeto social?

R- a parte mais difícil! É sem duvida o dia que o projeto será lançado oficialmente. Antes de lançamento de qualquer projeto partilho, sempre, com colegas e amigos para ter inputs e feedback. Mesmo com as sugestões contrarias, mas construtivas levamos em conta. Por isso que quando lançamos o projeto damos chance a todos para nos ajudarem a corrigir e melhorar e diminuir o erro, mas o que temos vindo a observar é que nem todos apoiam projetos do tipo, ou ostentam a vontade e a intenção de apoiar o projeto. Por isso tem sempre aquela ansiedade antes do lançamento do projeto para sabermos a reação das pessoas e a aderência deles mesmos.

Ultima Palavra...
Aproveito para agradecer todos os meus amigos, família e colegas que sempre me apoiaram nos meus projetos.

entrevista


Começou a admirar a música por impulso do padrasto e não só, por ter nascido e encontrado instrumentos musicais em casa e passou toda a sua infância ouvindo grandes músicos, quando despertou já tinha sido engolido para geração hip-hop. Teve altos e baixos. Tirou lições aprendeu regras e fundou a sua própria teoria, mais importante é que acabou por ser um dos fundadores do seu atual grupo musical.
O entrevistado desta semana, carrega um nome pouco vulgar, sim, pouco vulgar, porque faz-nos pensar...” mas o que é que um jovem talentoso carrega este nome” será que ele é um “Terrível”.
Mas não, o jovem não é terrível, tanto que não é terrível, mostrou como é admirável e criou uma das grandes canções que toca por tudo quanto e Ipod, Mp3, Telemóvel, dos Cabo-verdianos, do mundo e em particular dos Tarrafalenses. Mas quando o perguntam ... - qual foi a sua grande criação ele responde “tributo a hip hop e Retratu di um bedju”.
Talvez já sabem de quem estamos a falar, mas, mais do que isso, além do seu apelido de Devil k, que ele responde normalmente, mas, deixa claro que não tem nada a ver com o demônio e nem se quer é devoto da figura.

Quem es tu?

R-Meu Nome é Ivan Évora de Macedo, muitos me conhecem por Devil k sou natural de Tarrafal.

Por que não Ivan, mas sim Devil k? Tu és um fã declarado do demônio?

R-Em primeiro Lugar não sou fã declarado do demônio, Devil k é nome que surgiu através das brincadeiras que fazia com os meus irmãos. Um dos motivos era a forma estranha como eu me comunicava com eles. No kriolu, nossa segunda língua, usamos de muitas palavras que produzirmos expressões com sentidos figurado. Nos os cabo verdianos, muitas vezes temos o costume natural de usar a metáfora nas discrições dos grandes feitos, tanto de forma positiva como negativa e Devil k foi uma forma e o apelido que os meu amigos encontraram para me identificarem.. Exemplo: ‘’ moz abo é diabo!’’. Um outro exemplo:’’ kela é sima xuxu, ca podedu col…’’ e foi assim que esse nome surgiu.
É o que os brasileiros chamam de dislexia verbal.

Toninho do Diabo disse que Deus e Diabo são pessoas iguais. Concorda?

R-Acredito que Deus e Diabo não são iguais, pois são duas energias completamente opostas. Simplificando, eu defendo que é uma opinião falsa, pois tal afirmação está a mostrar claramente que Toninho está a abusar do senso comum e a lógica das coisas. O bem nunca foi igual ao mal.

Mas os franceses dizem que o censo comum não e tanto comum? Tenta por esta hipótese, a igualdade entre estas duas grandes personagens.

???

Agora vamos a o que interessa.

Como se deu o seu encontro com a música?

R-A minha infância em parte foi cercada pelos instrumentos músicais adquiridos pelo meu padrasto, Helder de Pina que era membro de uma banda local bastante conceituado no seio dos Tarrafalenses (Tarrafal Base), por isso não é de se estranhar o meu gosto pela música.
Lembro-me que a minha convivência com Helder era sempre ao som de artistas como o Michael Jackson, Bob Marley, os Tabanka Jazz, Joe Cocker, Zé Delgado e entre outros.

Tinham um repertorio ambicioso, tu eras um pequeno “terrível”?

O ambiente músical e a própria música foi se tornando uma prática diária, o combinar de sons e ritmos é algo que sempre me contagiou. Conceito de música é algo que hoje varia de cultura para cultura, daí os gêneros músicais constituírem as linhas divisórias da música.

Depois de passar a infância ouvindo grandes artistas, pergunto, Por que HipHop rap?

R-Hiphop é um movimento mais recente que apareceu a partir dos anos 60 e 70 que apanhou uma geração inteira sedenta de justiça e de oportunidade e eu como tantos outros fomos imediatamente arrastados por essa onda rap sendo nos jovens mais recentemente.
Embora pareça ridícula essa afirmação, para mim, “essa manifestação tem por naturalidade a camada jovem”, pois não tenho conhecimento da sua demonstração pelas pessoas da terceira idade, ahah!

Se o 2PAC escutasse esta afirmação.... iria rolar na sua sepultura.

Mas é uma manifestação que veio da década de 60 e 70, não acha que ainda estão muitos desta geração a praticar? Se for assim vai a contramão com a tua ideia. O que achas?

R-Acho que a minha ideia não ficou clara, a minha escolha pelo rap não teve nenhuma influencia estrangeira. O primeiro contacto com o estilo foi nos finais dos anos 95 início de 96, emitido pela TNCV (Televisão Nacional de Cabo Verde) atual TCV. A TNCV era a única Televisão na altura que passava os vídeos de rap, porque nem todo mundo tinha a televisão, pior ainda a internet.
O meu gosto, ou a minha identificação com o estilo deu-se através de um grupo feminino da Praia que se chamava Chipie, com vídeo músical que se intitulava ‘’Mattchu Burru’’, que estava a ser constantemente emitido pela TNCV, mais tarde o Djoek – ‘’Nada min ca teni’’, todo mundo dizia que era música de ‘’Yoh’’, porque para o povo tarrafalense era algo desconhecido e muito poucos sabiam que o estilo era hip hop. Hoje após uma luta persistente, começada pelo meu amigo e grande rapper Gianny, o hip hop vem se afirmando aos poucos, com a ajuda dos que continuaram a luta pela sua aceitação.

E referencias quem são eles?

R-Nome de artistas que marcaram varias gerações e que ainda são ouvidos são mencionados por muitos, chegando mesmo alguns a apontar artistas recentes, mas, sinceramente não tenho preferências, procuro sempre familiarizar ou universalizar o meu gosto pelo HipHop e pela música em si. É natural ter referencias e preferências, e como amante, gosto de ouvir uma boa música, sem levar nunca em conta o gênero ou o compositor.

Achas que a força de HipHop é suficiente para ser uma arma?

R-Ahahah… uma arma? No coletivo talvez, mas posso afirmar pelo meu conhecimento próprio que não, se depender da ambição ou da aspiração. A realidade é que o HipHop é apenas um dos vários instrumentos de apoio que nos os jovens podemos utilizar para cumprir as metas.
A confusão é grande, tanto é que constantemente tem se debatido a sua essência. Recentemente surgiu uma nova divergência no rap, onde particulares com diferentes visões batalham para a sua afirmação. A principal função do rap é levar a palavra dos e aos excluídos para o mundo, e cobrar mudanças, quer a nível social, político, econômico, educacional e até mesmo ao acesso da saúde. Entretanto a massificação do hiphop por conta da indústria músical tem diminuído a qualidade do hiphop, tem aumentando a quantidade da produção, tudo porque muitos grupos não leem, não estudam, e não tem trabalho e só o fazem por dinheiro e por mero modelo, e assim acabam por usar sempre as mesmas fontes.

Então estas a propor que apresentem qualidade, e não rap com altura de um umbigo?

R-‘’Lá se foram os tempos do ego e das diferenciações… no R.A.P ’’.
Fui uma das vitimas, não por opção, mas por imaturidade, os rappers deviam ter uma orientação, pois a negação ainda faz da nossa inexperiência, um pretexto que não completa esta afirmação. Por que não? Porque o nosso mundo e a nossa história é uma conspiração, mas o rap pode ser uma solução, ela pode ser um instrumento se for bem usado para informar e defender um cidadão, ou até uma nação. O rap é mais do que uma simples criação, ou qualquer invenção é fazer da essência do seu pressuposto uma missão.

O que é HipHop consciente?

R-Para mim essa história de hip-hop consciente anda a facilitar ainda mais a vida dos supostos ‘’rappers’’ que não entenderam o que é o Hip-Hop. Misturam ambições com informações ouvidas que muitas vezes são falsas ou manipuladas, informações essas que estão constantemente a ser repetidas para o povo, ou seja, muito dos chamados ‘’conscientes’’ conseguiram ter a criatividade de fazer do seu propósito um meio para continuar satisfazer o seu ego. Na minha perspectiva o chamado ‘’hiphop consciente’’ virou uma ‘’moda’ que já proliferou por Cabo Verde. Por isso não vou por esse caminho de tentar dar um conceito ao ‘’Hip-hop consciente’’. Já dizia uma vizinha minha… ‘’Cada um ku si consciência’’. ahahah

Muitos rappers residentes defendem HipHop Tarrafal, na tua opinião, é realmente?

R-É visível a diferença na forma de ser e de fazer a transmissão. No meio da bagunça e da anarquia a tendência é mostrar sempre as raízes, até mesmo as raízes locais. Assumo que já fui um soldado aliado dessa luta, mas hoje, reavaliando a nossa atualidade e o enaltecimento desse assunto, declaro publicamente a minha retidão. Temos de ser exemplo a seguir, evitar a censura, não acho correta a diferenciação a outros locais, caso contrário os interesses particulares acabam por provocar a desmembração da unidade, isso já aconteceu uma vez. Tentemos levar o Maximo número de irmãos cabo verdianos que pudermos as costas.
O hiphop tarrafal ainda não é bem visto e valorizado pelo poder local. De que adianta vangloriar as raízes locais, bazofiar do estilo e gabar do artista se a tanto aceitação local como o item de todos constituem ainda uma negação total?

HipHop Tarrafal ou HipHop de Cabo Verde?

R-HipHop Cabo Verde.

Então achas que é o poder local que bloqueia o desenvolvimento do HipHop? Mas não esqueça a situação a nível nacional do HipHop? Ou nunca lhes foram dadas as oportunidades? Será que o nível de hiphop praticado merece estar em destaque?

R-Não, nunca pensei, e cada vez mais, sento –me com essa certeza de que não mereço nenhum tipo de destaque. Se for para destacar, que destaquem os problemas do nosso povo. A nível nacional, para seres (re)conhecido como um oficial rapper, basta ter um vídeo a circular repetidamente durante um ano inteiro, aos olhos dos telespectadores. Para mim isso é ridículo, a manifestação do hip-hop a nível nacional é uma farsa e CVMA é uma prova viva.
O poder local sempre fala de oportunidades, desde minha iniciação ate hoje as oportunidades continuam a ter como fins os mesmos argumentos, que é ‘’ a promoção pessoal’’ Não é certo, para mim é disponibilizar, mais meios para motivarem e para promoverem e desenvolverem ainda mais a nossa capacidade de instruir o nosso povo, mas isso não acontece por questões políticas. O numero de rappers cabo verdiano é desconhecido, há muita qualidade lírica desconhecida que anda a circular pela periferia e cidades favorecidas das várias cidades e nas diferentes zonas das nossas ilhas. A gloria do hip-hop cabo verdiano tem cara de burguesia.

Qual das músicas que produziste que mais lhe marcou?

R- DEViL.K- Tributo a Hip-Hop
R- DEViL.K- Retratu d’um bedju (Homenagem a tudu bedjus cabo-verdianos).

Prov-Realmente é trabalho de profissional, sou um dos admiradores.

No dia 21 de dezembro de 2014 disseste “Uns ta discubri ses musikaz ku sentimentu. Otus ta discubri sentimentu ku musikaz”, traduza?

R-Prezo muito o meu meio, gosto e admiro muito o ouvir e o observar. pessoas tem por habito e preferências por um determinado gênero músical que equivale ou entra em concordância com o seu estado sentimental, mas com o passar do tempo, o ouvir começa a dar ênfases a novos sentimentos, e a novas descobertas.

Vanex Lopes Vane numa das tuas postagens no Facebook comentou assim “som li e brutu memu...fodass dimasss, nka ta kansa di obill tmb”. Pergunto eu, quais são as vossas preocupações e mensagens que procuram levar?

R-O público sempre espera uma correspondência positiva, e desde sempre a nossa procura foi transmitir o que realmente o público precisa ouvir para saber. O nosso dia-a-dia, o conhecido e o desconhecido, as nossas dificuldades, as lutas, os preconceitos, sobre tudo as perdas. Reconheço que houve momentos de fraqueza em que fomos egocêntricos, eufóricos, e momentos de conflitos e separações e aprendemos muito com esses erros, mas a nossa preocupação sempre foi falar o que o povo quer e precisa realmente escutar, extrair o puro interior fazendo ligações com a alma exterior.

Então estas a dizer que Omega já se desintegrou? Fala a cerca de Omega 7, fundação, tudo.

R-Omega ainda permanece firme! O grupo músical é constituído por 4 elementos, Marito, J-HooD, Shima e Devil.k, e mais do que uma simples ligação músical a fundação do grupo Omega teve por base a nossa boa relação que veio em parte da nossa infância. Para além dos elementos que compõe a música do grupo existem ainda dezenas de outros amigos que se tornaram membros do grupo pela constante convivência, por isso Omega se tornou num grupo social pelo facto de estarmos sempre ‘’djuntu’’. Marito foi quem sugeriu o nome ao grupo, porque na espoca estávamos sofrendo diversos tipos de preconceitos sociais. Numa luta por uma boa aceitação social, batizamos o grupo com o nome Omega que é a ultima letra do alfabeto grego, por este ter o significado de ‘’Fim’’. O foco é ‘’djuntu ti fim’’ juntos até ao fim, e independentemente do que vier a acontecer.

Grande Marito

No show de Santo Amaro que arrebentarão com o público disseste, aqui cantamos HipHop. Pergunto, o que achaste da opinião de Kaka Barbosa a cerca de HipHop em Cabo Verde.

R-Ele teve argumentos suficientes para defender tal afirmação, só que o erro foi generalizar em vez de particularizar. Em Cabo Verde ‘’ser rapper’’ é uma das coisas que virou moda, e essa moda proliferou pelos des cantos das nossas ilhas. Todo mundo anda a cantar ahaha… agora me pergunto: já imaginou a quantidade de música inúteis gravados, que é chamado de HipHop ou rap?
Então kaka tem razão?
Assim como nas outras vertentes da música, nem todos os rappers nasceram com aptidão, espírito, genialidade, talento e a habilidade de fazer o hiphop. Nem todos os rappers sabem ler e reconhecer as notas musicais, nem todos os rappers sabem o que é realmente uma música. Não é só dizer, o saber fazer conta, e muito para mim.
Todo mundo entendeu bem o que ele quis dizer, Kaka tentou mostrar que muito do que se produz, tem uma qualidade momentânea, ou seja, não duradora. Posso até estar errado, mas acho que ele não defende a música de massas, porque as letras das músicas de massas retratam bem as relações sociais do mundo de hoje. Um mundo que não tem tempo para descansar, só nos "empurram" letras que nada dizem que não nos fazem refletir (se paramos para isso a máquina foge de nós ou nos passa por cima!).
E a música retrata exatamente como agimos: as relações interpessoais são marcadas pela pressa e pela superficialidade, não há tempo para aprofundar o que quer que seja. A miséria da Música de Massas só retrata a nossa miséria de emoções.

Ômega 7 através de vossa música “noz tudu djuntu”, deixaram uma certa ideia do que pode ser HipHop. Até hoje partilha desta ideia?

R-Sim, mas é preciso realçar que o ‘’djuntu’’ não é só fazer uma música com o mesmo refrão e verso. Não é só para gravar um single, ou partilhar o mesmo palco, e nem é partilhar as ideias. O ‘’djuntu’’ para mim é estar presente e a par de todos em tudo. Não só apoiar e colaborar, mas sim amparar, segurar as pontas, socorrer no desespero, não só criticar, mas fornecer meios para a correção e a superação do erro. ‘’nos é 1 nos é kel 1’’.

O que e HipHop e Rap? Diferenças?

R-O rap é um estilo musical de ritmo e poesia enquanto que o Hip-Hop é uma cultura artística, o rap assim como o Dj, o Breaking dance e a arte do Grafite são elementos que constituem e fazem o HipHop no seu todo.
As vossas letras é a continuidade do puro Rap undergrond ou às vezes é apenas a continuidade do que o Emisida classifica de HipHop foda?

R-Depende do conceito que se tem do puro rap Underground, e de como é visto e defendido pelos cabo verdianos, porque muitos ainda deixam transparecer que tem alguma confusão ou não sabem claramente o que é ser um underground rap. Para mim esse subgênero não é nada mais do que uma forma de diferenciação. O ser independente é algo que todo o real rappers quer, e muitos lutam firmemente por isso, porque a dependência quase que obrigatoriamente provoca o desvio do puro ou da essência, basta ver o resultado da massificação do rap pela indústria musical. Mas temos de recordar que pertencemos a um país pobre, que nos obriga a depender de quase tudo, e frisar para os que não sabem, que qualquer rapper que faz o seu trabalho com a sua própria gravadora, ou com os seus meios já é um underground, por isso posso afirmar com toda a certeza que os rappers Tarrafalenses e a maior parte dos rappers cabo verdianos são underground rappers.
O ‘’diss’’ que no crioulo é conhecido popularmente como ‘’beef’’, para quem não sabe faz parte do hard rap e do gangsta rap, que é um dos estilos do puro underground. É uma canção criada com o único propósito de atacar verbalmente e insultar uma pessoa ou um grupo de cantores, e por vezes o beef pode ser indefinido, ou seja, às vezes não se sabe a quem é dirigido.
O gangsta rap é dos estilos mais puro que se conhece, para mim a manifestação desse estilo faz do rapper um verdadeiro underground, e já que “estamos” no Brasil aproveito para relembrar a todos que acompanham o rap brasileiro e que conhecem a história músical do grupo A Facção Central (que tem um estilo músical próprio, onde tanto o estilo como as letras são apresentadas de forma bastante agressiva e violenta, mas entretanto com racionalidade) foram dos mais puros underground rappers brasileiros.
.....

O que dirias aos jovens que estão a começar?

R-Pela minha experiência até hoje, recomendo que estudem as nossas raízes, temos de ostentar o compromisso com a igualdade e o progresso de todos pelo próprio bem. Não podemos ser indiferente temos vários exemplos do fracasso, do inútil e do vil, porque não evitar esses efeitos? Porque insistir em repetir os mesmos erros do passado? Porque não mudar os hábitos, e os princípios egocêntricos e comodistas? Porque não mudar a nossa filosofia de vida levando em conta o nosso contexto?
O crime muitas vezes está na escolha, guiar os jovens se tornou uma tarefa de combate a recusa, o orgulho impossibilita a assistência ou mesmo a preparação feita por uma boa orientação.

Todas estas questões para quem? Os novatos?

R-Ficou bem claro que não, temos de ver o hiphop cabo verdiano como um todo, porque muitos rappers do chamado ‘’oldschool’’ velha-escola, ainda persistem em cometer graves erros. Normalmente um rapper tem como tendência iniciante, imitar um oldschool, por isso não é de se estranhar a continuidade. Erros esses que acabam por refletir no ‘’newschool’’ ou novatos se assim quiseram dizer.

Quais são os projetos que estas envolvido atualmente.

R-De momento, nenhum.

Muitas vezes são referenciados os rappers com as drogas.

R-É importante frisar que as composições estruturadas ou não do hiphop, tem a capacidade de trazer o entusiasmo ou o desejo, afetando as emoções dos jovens, o que levou e ainda leva alguns tradicionalistas locais a afirmar que a repercussão das consequências corrompeu, desviou e ainda anda a desviar muitos jovens de seguirem as verdadeiras regras das condutas sociais. Concordo em parte, e esse tem sido um forte argumento utilizado por aqueles que defendem um não ao HipHop, induzindo muitos a presumir ou a pugnar a não aceitação do estilo.

O que é que pensas a cerca do consumo de padjinha ou ganzá.

R-Honestamente, ela causa menos dependência do que as drogas lícitas, e na verdade a sua dependência é psicológica e não fisiológica. Hoje, neurocientistas derrubaram muitos mitos referentes aos supostos déficit cognitivos, como também os argumentos insanos de que a padjinha ‘’queima os neurônios’’ ahahah… Foi comprovado, tanto os benefícios do uso moderado, mostrando que ela é neuroprotetora como também foi comprovado os malefícios do uso abusivo. Não estou a misturar a ciência com a pseudociência, mas sim mostrar a minha visão aberta do assunto, pois a liberdade de expressão é o que todos dizem que temos. No entanto é o que nos tiram por causa das questões políticas. Faço uma chamada de atenção que eu não sou defensor do não uso, e nem vou em contradição com as pessoas que fazem o seu consumo. Todos nos sabemos que o seu consumo é ilegal, só acho ignorância legalizarem o cigarro e álcool que faz bem mais mal. O uso das drogas é um fenômeno que tem de ser combatido, porque afetam muito mais a saúde pública, e isso tem sido visto claramente nas condutas diárias dos usuários.
Para mim, o justo seria ou ilegalizar tudo isso, ou legalizar a padjinha também.

Se te pedirem para indicar 10 rappers de Tarrafal e 10 Rap qual seria a tua lista?
R-
Nyunne N’tafety- Liberta –es- son (Habiru beats)
Wolff- sem Bó
Cj Lincolm- Und caminho (feat. Kex1)
Marito- when brothers die (feat Nivaldo)
Shima- Força rap kriolu (feat Devil.K)
Odays- Afrika
James- Musika (feat. Ghetto Nee)
Nay-z- Tarrafal ( feat. Marito)
Gianny- Evoluson de nos conselho (feat. Marito, Sheiny)
Kex1- Cabo Verde (feat. Abrao, Flame, emer)

Sentis que es famoso? Se sim, então me diga, quais são as armadilhas da fama?
R-Não, não me sinto famoso.

Rudolf Dreikurs disse, “É possível mudar nossas vidas e a atitude daqueles que nos cercam simplesmente mudando a nós mesmos”. Agora lhe pergunto que mudança almeja esta geração?

R-Sim, é possível mudar, se cada um fizer a sua parte, mas pergunto quando?
Os que defendem estão em menor número e cada dia esses números vem diminuindo ainda mais. O programa de ensino é uma farsa que no fundo nega as origens. Somos um país que vangloria a nossa independência, todos os anos gastando fortunas em comemorações que de nada nos servem, no entanto com graves crises internas pelo facto de termos uma economia de dependência total ao exterior. Temos uma fraca produção humana e os jovens como o único impulsionador do desenvolvimento são forçados a viver uma guerra psicológica, por causa da sede dos partidos pelo poder. E para piorar minha geração é tão livre que a própria união se tornou uma recusa, pois o interesse egocêntrico não tem estado a se coincidir.

A união é a única solução!

Expressões como: ‘’ cada um faz o que lhe bem apetecer’’ … ou… ‘’ cada um tem o seu caminho/destino’’ fomentam a desigualdade do satisfazer. Grabiel Marques desse:’’ Colhemos o que plantamos, e se destruímos a semente no presente iremos plantar o que, para o futuro?’’

Achas que a nova geração está sendo tapada pela atual geração do poder?

R-Por vezes as dificuldades deparadas provocam a lentidão do cumprimento dos objetivos traçados, os cabo verdianos, não estão ainda preparados para unir, partilhar e servir de amparo, como consequências podem notar a parcialidade em tudo, que também consequentemente dá lugar a injustiça. A nossa educação tem vivido a sombra das recompensas, com princípios imorais, luxuria e vícios. Sim, Temos de reconhecer o trabalho da geração do poder, só que ainda não se tornou muito expressivo a nível nacional. A educação da nossa juventude é um dos principais fatores, e nota-se que atualmente há uma demora na tomada de consciência e situações mesmo de ausência. A sociedade cabo verdiana teve sempre em todos os aspectos a juventude como principal propulsionador do desenvolvimento. Porque atravancar e recalcar a participação da juventude no desenvolvimento de Cabo Verde? Não temos e nem podemos permitir a ocultação, pior ainda a transmutação da nossa história.

Sistema ou nepotismo, qual desses fenômenos é mais perigoso?

R-Sinceramente essa pergunta me faz parar por momentos ahahaha (brincando)… Tanto o sistema como o nepotismo é perigosíssimo. Mas para mim o Nepotismo é pior, porque quem não tem o principio da moralidade é que está juridicamente protegido pela ‘’legalidade’’ facilmente nomes a contratação de parentes, em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou a elevação de cargos, que acaba por dar origem ao abuso do poder. O nepotismo materializa-se quando o servidor exerce sua função e dispõe de certos "privilégios". Por exemplo: receber sem trabalhar, não ser assíduo, assumir função sem capacidade técnico-profissional, não possuir o nível de escolaridade exigido pela função, agir com arbítrio ou abuso, superfaturar obras e serviços etc. Desta forma, fica claro que a imoralidade administrativa não reside no ato de nomeação ou contratação, mas na conduta lesiva do agente, que volto a repetir, age com abuso de poder.

Mas em Cabo Verde o nepotismo e conhecido pelo favorecimento de pessoas conhecidas, amigos e familiares a ter acesso fácil a cargos públicos?

R-Há um clamor social para abolir esse mal social, sobe a justificativa de que haveria favorecimento, é claro que algumas vezes há certa presunção e discriminação no modo como é discutido, porque parte-se para a conclusão que o parente já é desonesto. É claro que é preferível trabalhar com quem se tenha afinidade e se conheça mais, e bla bla bla.... Das regras da constituição, mas para mim o serviço é publico não é familiar. O nepotismo é um velho hábito da administração publica que tem de ser deletado, e sempre que haja sua manifestação. O favorecimento é a característica marcante do Nepotismo, e é bem visível na administração pública em Cabo Verde particularizando para a minha localidade. Esta prática no poder local do Tarrafal é vista de forma escancarada, quando se observa o “loteamento” dos cargos ali disponíveis distribuídos entre parentes. É um escândalo tão grande que deveria ser apurado.

Mas no Tarrafal quase todo mundo é família. Então todos nós somos vitimas do nepotismo?

Ahahahahahah…. Teoricamente somos uma família. O povo de Cabo Verde é uma família! É visível os interesses e as disputas regionais, e os tarrafalenses queixam se muito de serem esquecidos pelo governo nacional, sim é verdade, mas também é visível as disputas locais, e os filhos tarrafalenses queixam se de serem esquecidos pela família local hahah… Considero todos os tarrafalenses irmãos, mas temos de ser realistas, não é o que acontece na prática do nosso dia-a-dia.

País preferido? Além de Cabo Verde.

R-Senegal, justamente por ser um país que eu já visitei, e que me
deixou encantado com a sua diversidade.

Qual é a tua cor preferida?
R-O Verde.

Livro preferido?
R-Nicolau Maquiavel- O Príncipe. A arte da Guerra de Sun Tzu

Qual autor que descobriu e que gostou e qual autor que ainda não descobriu que gostarias de descobrir?
????

O que é a vida?
???

Como querias ser lembrado?
R-Quero que tudo de bom e mal que eu tiver feito, tanto as conquistas como as derrotas, sirva de exemplo a alguém que está a viver parte do que vivi. Penso que não poderia exigir mais do que isso.

Qual foi o maior mal que já fizeste?
R-Honestamente, a música intitulada – ‘’encomenda pa Bicth’’. É uma música que não traz nada de bom para a mente. O meu caráter foi posto em causa e fui motivo de julgamentos e de falsas discrições por parte de muitas pessoas por causa desse mal. E embora cada vez menos, essa tendência persisti até hoje.
Um dia, a caminhar pelas ruas da cidade do Tarrafal, deparei com uma criança de 8 anos todo eufórico a cantar a letra dessa música. E ele só dizia que tinha a música, e que era fixe. E eu a pensar no meu espanto:
-Devil.k olha mal que fizeste?
Tento sempre consertar isso, mas ela ainda anda pelas ruas…

Quem mais mal fez ao mundo?
R-O homem.

Que mensagem deixaria para os que estão errando neste momento e qual mensagem deixaria para os que não erraram ainda.

R-O erro é um instinto humano, e nenhum ser humano consegui escapar a essa condição. Para mim há tomada de consciência, ou reconhecimento do erro é o primeiro passo, o segundo é ter atitude de mudança. Quando o assunto for corrigir o mal, não importa o tamanho do mal feito, o objetivo é fazer o bem, superando o mal.

Que pergunta gostarias de me fazer que eu não te fiz?
R-Nenhum.

Obrigado pela entrevista

R-Agradeço igualmente, o provacultura é um modelo a seguir para o nosso desenvolvimento o cultural. Obrigado!
Provacultura
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